zura
sábado, 28 de agosto de 2010
- A Anorexia Nervosa é muito mais freqüente em adolescentes do sexo feminino do que masculino. Pode aparecer na idade adulta.
- Quanto mais tarde aparece, melhor é a evolução.
- Anoréxicas não acham que estão doentes nem aceitam se tratar.
- Bulímicas procuram tratamento, incentivam outras mulheres a se tratar, etc.
- Anoréxicas preferem trocar idéias sobre dietas, laxantes, diuréticos, técnicas de provocar vômitos e como enganar a família e o médico.
Para os pais:
Na primeira consulta os pais querem "ouvir tudo sem dourar a pílula".
Depois, acham que o médico foi duro e radical.
Dali alguns meses verão que essa "dureza" tinha sentido. Por mais que os pais e os médicos achem que estão controlando a situação, as Anoréxicas são sempre mais espertas. Não acreditem em quem promete um jardim de rosas para o tratamento. Em Anorexia Nervosa não existem jardins de rosas.
O desgaste para a família, terapeutas, médicos e acompanhantes é grande. Raramente a paciente se trata por muito tempo com a mesma equipe que diagnosticou e iniciou o tratamento.
Sintomas e sinais:
- Emagrecimento. Anoréxicas com 42 Kg são consideradas de peso bom. Freqüentemente o peso chega a 36 Kg ou menos.
- Vômitos provocados com os dedos, com cabos de colher, com arames, com contrações abdominais, etc. Elas vomitam no banheiro, no chuveiro, em vasos de plantas, sacos plásticos, papel higiênico, onde for possível. Se não vomitarem se sentem sujas por dentro e "estufadas".
- Quando se consegue que elas façam refeições com a família, sempre há um motivo para saírem da mesa logo que acabam de comer. Geralmente vão ao banheiro vomitar em segredo.
- Amenorréia (interrupção da menstruação). A menstruação pode cessar antes de perda de peso grave (a desnutrição não é a única causa da amenorréia) e pode voltar antes de um ganho de peso importante.
- Destruição do esmalte dentário (por causa dos vômitos).
- Pele seca e amarelada, cabelos finos, secos e quebradiços (pela desnutrição).
- Excesso de exercícios físicos.
- Visão distorcida do próprio corpo. As anoréxicas nunca acham que estão magras o suficiente. Elas se olham no espelho e vêem os seios e o abdômen grandes demais.
- Uso (geralmente escondido) de diuréticos, laxantes, hormônios de tireóide e pílulas para emagrecer.
- Comorbidade (doenças concomitantes) com Depressão, DOC principalmente alternância de fases com Bulimia.
- Isolamento social. São retraídas, pouco expansivas, quase sem amigos, não tem namorado,
- Adoram cozinhar e servir comida para os outros.
- Geralmente são meninas inteligentes, perfeccionistas e bonitas.
- Acham que o tratamento é totalmente desnecessário. Vão ao médico apenas para que a família as deixem em paz.
- Alternância com fases de Bulimia, quando comem tudo que está pela frente, a ponto dos pais terem que trancar a despensa da casa.
Causas.
Com certeza existe mais de uma causa e ela certamente não é só emocional ou psicológica. Quem já viu uma Anoréxica de 40 KG sair de um hospital e continuar achando que não está doente vai me entender. Provavelmente existem componentes psicológicos, biológicos, ambientais e culturais. A impressão que temos é que por motivos sociais ou profissionais começa um emagrecimento e depois de um certo ponto algum mecanismo cerebral toma conta da menina e assume o comando.
Tratamento.
O tratamento é sempre multi profissional, talvez o mais multi profissional de toda a psiquiatria.
- Antidepressivos e outros medicamentos, conforme a situação.
- Psicoterapia.
- Orientação Nutricional.
- Orientação familiar, pois é uma luta de anos
Quando o médico disse que é grave, ele não exagerou. A Anorexia tem índice de mortalidade entre 10 e 30% assim como muitas complicações clínicas:
- Metabólicas: hipotermia, desidratação, perda de potássio, magnésio, cálcio, fósforo, aumento de colesterol, hipoglicemia.
- Cardiovasculares: hipotensão, bradicardia, arritmias cardíacas, etc.
- Imunológicas: baixa de resistência a infecções.
- Gastroenterológicas: cáries, erosão de esmalte dentário, hipertrofia de glândulas salivares, obstipação intestinal, cólon irritável, etc.
- Hematológicas: anemia, diminuição de proteínas, etc.
Leia o depoimento de uma anoréxica, que ilustra bem tudo que foi escrito.
"Com 12 anos, 1.60 de altura e 49 kg me achava gorda e tinha vergonha da minha barriga. Achava bonito modelos magras tipo Shirley Mallmann. Comecei a fazer um regime "básico" e me exercitar. Com 13 anos pesava 36 kg e ainda me achava gorda. Fazia de 1 a 2 horas de exercício 6x por semana. Então comecei a vomitar e de vez em quando "atacar a geladeira. Sem perceber tinha me afastado de todos meus amigos, chorava muito e tinha vontade de morrer. Me sentia tonta e minha mãe resolveu me levar no médico. Ele receitou que 3x por semana fosse ao hospital tomar soro. Minha mãe acatou mas eu reagi e disse que estava me sentindo bem e que amanhã comeria direito. Então me levavam, a força, para fazer soro 1x por semana. Com isso comia menos ainda porque pensava que o soro engordava. Com 32 kg, minha mãe estava desesperada descobriu que estava vomitando. Foi quando descobrimos a Dra. X. Aceitei ir pq pensei que iria ser como os outros médicos; eu dizia que não iria comer e não comia. Com 30 kg e muito desnutrida ela queria me internar pq estava com anorexia nervosa. Na primeira semana não cumpri nada. Quando voltei eu e meus pais levamos uma bronca. Aí meus pais começaram a ficar em cima mesmo. Mas ainda assim burlava-os e escondia comida nos bolsos e vomitava depois. Proibida de exercícios acordava de madrugada para me exercitar. Logo mamãe descobriu. A Dra. X me deu uma semana para aumentar de 500g a 1 kg se não iria me internar. Eu achava que meus pais nunca iriam permitir. Na outra semana, quando fui me consultar havia perdido 200g, então falou com meus pais e se eu não fosse internada ela se negaria a me tratar, acabei sendo internada. No dia 23 de dezembro de 1997 com 30 kg e 13 anos fui internada no hospital Y, foi quando começou o período mais difícil do tratamento, comecei a dizer que iria fazer greve de fome, a Dra. me deu 4 dias para aumentar 400g e trouxe a sonda ao meu quarto mostrando o que iria acontecer se eu não começasse a comer, vi que eu não tinha outra opção e comecei o comer. Mesmo internada eu continuava colocando comida dentro dos bolsos e vomitando em vasos de flor, meu banheiro ficava chaveado 24 horas por dia e quando precisava ocupá-lo uma enfermeira me acompanhava. Restrita de visitas de familiares e amigos eu chorava muito, foram 3 meses e meio de sofrimento. Voltei para casa na Páscoa para fazer um teste de como eu me comportaria. Como me comportei e comia direitinho não voltei mais pro hospital. a Dra. liberou os exercícios, comecei nadando duas vezes por semana. Quando voltei pra casa não saía de casa porque me achava gorda e não queria que ninguém me vice assim. com 1m e 56 kg me achava gorda e tive uma pequena recaída. Fui forçada a recuperar ou voltaria para o hospital, novamente não tive saída e voltei aos 50 kg com muito esforço. Chegou o verão e eu só ia pra piscina de maiô pois tinha vergonha da minha barriga. aos poucos, com os exercícios minha barriga foi se definindo e minha auto estima subindo. Hoje faço academia 2 vezes por semana e de dois em dois meses vou fazer revisão na Dra. X, ainda faço terapia com minha Psiquiatra 2 vezes por mês. Estou com 1,65m de altura e 51 kg. Ainda tenho um pouco de medo de comer mas, também tenho medo de recaídas. Hoje tenho consciência de que se não tivessem me internado o tratamento, em casa, jamais daria certo."
A anorexia nervosa é uma disfunção alimentar, caracterizada por uma rígida e insuficiente dieta alimentar (caracterizando em baixo peso corporal) e estresse físico. A anorexia nervosa é uma doença complexa, envolvendo componentes psicológicos, fisiológicos e sociais. Uma pessoa com anorexia nervosa é chamada de anoréxica. Uma pessoa anoréxica pode ser também bulímica. A anorexia nervosa afeta primariamente adolescentes do sexo feminino e jovens mulheres do Hemisfério Ocidental, mas também afeta alguns rapazes. No caso dos jovens adolescentes de ambos os sexos, poderá estar ligada a problemas de auto-imagem, dismorfia, dificuldade em ser aceito pelo grupo, ou em lidar com a sexualidade genital emergente, especialmente se houver um quadro neurótico (particularmente do tipo obsessivo-compulsivo) ou história de abuso sexual ou de bullying. A taxa de mortalidade da anorexia nervosa é de aproximadamente 10%, uma das maiores entre qualquer transtorno psicológico.
Sintomas
- Peso corporal em 85% ou menos do nível normal.
- Prática excessiva de atividades físicas, mesmo tendo um peso abaixo do normal. Comumente, anoréxicos vêem peso onde não existe, ou seja, o anorético pensa que tem um peso acima do normal.
- Em pessoas do sexo feminino, ausência de ao menos três ou mais menstruações. A anorexia nervosa pode causar sérios danos ao sistema reprodutor feminino.
- Diminuição ou ausência da líbido; nos rapazes poderá ocorrer disfunção erétil e dificuldade em atingir a maturação sexual completa, tanto a nível físico como emocional.
- Crescimento retardado ou até paragem do mesmo, com a resultante má formação do esqueleto (pernas e braços curtos em relação ao tronco).
- Descalcificação dos dentes; cárie dentária.
- Depressão profunda.
- Tendências suicidas.
- Bulimia, que pode desenvolver-se posteriormente em pessoas anoréxicas.
- Obstipação grave.
Causas e grupos de risco
A anorexia nervosa afeta muito mais pessoas jovens (entre 15 a 25 anos), e do sexo feminino (95% dos casos ocorrem em mulheres). Tem sido enfatizada, em debates populares, a importância da mídia para o desenvolvimento de desordens como anorexia e bulimia, por alegadamente promover ela uma identificação da beleza com padrões físicos de magreza acentuada. Qualquer papel a ser exercido pela cultura de massa na promoção dessas desordens, no entanto, está ainda para ser demonstrado. Na busca da etiologia de perturbações da saúde mental, inclusive da anorexia nervosa, comumente são procuradas causas de ordem intrapsíquico, ambiental e genético.Até agora, os seguintes fatos têm emergido na busca das causas desse transtorno:
Causas genéticas/ambientais:
- Estudos sobre desenvolvimento de transtornos alimentares envolvendo irmãs gêmeas têm sugerido um fundo genético para o desenvolvimento da anorexia.
- Pais e mães de pacientes diagnosticadas com essa desordem possuem, relativamente a grupos de comparação da população não seleta, níveis mais elevados de perfeccionismo e preocupação com a forma física.
- Independentemente do subtipo de anorexia desenvolvida, restritiva ou purgativa, anoréxicas possuem, relativamente a pessoas saudáveis de sua idade e sexo, uma incidência maior de transtornos da ansiedade (especialmente o transtorno obsessivo-conmpulsivo) e do humor.
- Níveis exageradamente elevados de perfeccionismo (busca por padrões de conquista e realizações notavelmente altos, necessidade de controle, intolerância a "falhas" ou "imperfeições") são comuns, e mesmo centrais, no desenvolvimento da anorexia. A presença dessa busca por padrões de perfeição transcende o desenvolvimento da doença, sendo anterior a ela e permanecendo em pacientes que já foram curadas da doença. Alguns estudos sugerem que, apesar de uma inteligência média na faixa regular, anoréxicas possuem níveis mais altos de performance escolar e envolvimento acadêmico, o que sugere que o perfeccionismo nelas presente não se limita a temas relacionados apenas com comida e forma corporal.
- Outros traços obsessivos-compulsivos, além do perfeccionismo, são notados na infância de anoréxicas, principalmente inflexibilidade, forte adesão a regras estabelecidas, observação dos padrões mantidos por autoridades, etc.
- Incidência de abuso físico ou sexual é mais elevada em grupos de anoréxicos; em um estudo efetivado na América do Norte, a presença de um histórico de abuso sexual na infância apresentou uma forte associação com o desenvolvimento de transtornos alimentares em grupos de homens homossexuais.
Tratamento
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